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ENTREVISTA

Roseli Duque


fevereiro / 2008

Artista plástica de formação, a empresária Roseli Duque foi a primeira mulher a presidir uma associação de classe do setor joalheiro no Brasil. Esteve à frente da Ajesp - Associação de Joalheiros do Estado de São Paulo por dois mandatos consecutivos e deixou o cargo no final de 2007. Na Guilherme Duque, indústria de jóias da família, exerce o cargo de Diretora Comercial e tem se destacado por implementar ações arrojadas de marketing. Nesta entrevista, Roseli conta sobre sobre suas experiências e fala sobre o mercado de jóias.

Jóia br - Pode nos contar sobre suas iniciativas à frente da Ajesp?
Roseli -
Quando assumi a Ajesp, em 2000, tinha como objetivo divulgar o setor joalheiro na mídia. Era um setor extremamente avesso a fotos e revistas de personalidades, sempre com o discurso de preocupação com segurança. Porém, eu tinha um entendimento que um setor que vende moda e desejo não pode exercer esta função escondendo-se atrás de suas bancas. Iniciamos as atividades com uma festa que obteve grande repercussão na mídia, pois somava o que as colunas sociais mais apreciam: festa glamourosa, com belas jóias e gente bonita, somados a um setor desconhecido para eles até então.
Iniciamos um grande trabalho unindo a Ajesp a ações sociais, principalmente com o Fundo de Solidariedade do Estado de SP, em que fizemos 3 festas e duas ações no Palácio do Governo, arrecadando um total de 500 padarias artesanais. A primeira festa ocorreu sete dias após a eleição do governador Geraldo Alckmin, em seu aniversário de 50 anos. Promovemos ações no SPFW, inserindo as jóias no mundo fashion. Conseguimos também unir seis grandes nomes da joalheria nacional no projeto "Iguatemi se veste de Jóias".

Jóia br - Como a tradição de 50 anos da Guilherme Duque acompanha os novos tempos?
Roseli - Não é muito fácil trazer novos conceitos, principalmente para uma empresa com tantos anos de existência. Iniciamos com a decisão de divulgar e formar uma marca: a griffe "Guilherme Duque".

Jóia br - A G.Duque se associou ao estilista Fause Haten, lançou coleção com Adriane Galisteu e ainda está presente em várias lojas multimarcas. São ações ousadas para um mercado que, em grande parte, é bastante conservador, não concorda?
Roseli -
Estas parcerias têm a ver com a decisão de posicionar a marca no mercado. Uma das maneiras, foi unir a Guilherme Duque à moda e a alguma celebridade. Esta decisão estratégica nos levou a um questionamento: o joalheiro está preparado para vender marcas? Está preparado para vender conceito? Foram questões básicas que colocaram em cheque toda a operação. As respostas são sim e não, ou seja, poucos tem este preparo.
O joalheiro varejista sabe vender variedades muito bem. Encontrei joalherias que trabalham com 12.000 itens! O joalheiro aprendeu a vender bem pedras e ouro, não sonhos, diferentemente do empresário da moda. Outro ponto importante é a simplicidade com que a cópia é tratada em nosso ramo. Só para citar um exemplo, fizemos na coleção da Adriane uma linda linha de jóias com a pedra olho-de-tigre, que até então andava "esquecida" pelos joalheiros. Só que alguns passaram a oferecer a cópia do conceito que desenvolvemos, dizendo ao cliente que é muito mais barato. Ora, eles não pagaram nada pela criação e imagem da Galisteu! É a mesma coisa que vender cópias de bolsas famosas em uma loja bacana dos Jardins! E tem joalheiro que acha normal não investir em uma marca própria e atender seu cliente com cópias.
Na moda, ninguém pergunta quanto tem de couro ou quanto metros de tecido leva a roupa. O cliente paga pelo desejo de se achar belo. Na jóia, o argumento é: tantos gramas, tantos quilates... A propriedade intelectual, a criatividade e a imagem não são valorizadas. Na moda, uma loja conceituada nunca venderia uma cópia. Não há lugar para fakes nas grandes multimarcas, pois estas têm ética e responsabilidade para com o consumidor final. Nós tivemos a oportunidade de entrar com nossas linhas Fause Haten, Adriane Galisteu e G.Duque em lojas que vendem conceito e imagem com grande propriedade, como a Clube Chocolate, em São Paulo.

Jóia br - Você também acabou de inaugurar uma loja G.Duque em um badalado salão de beleza da capital paulista...
Roseli -
Nesta "viagem enlouquecedora" para uma empresa fabricante que sempre trabalhou com vendedores de maneira tradicional, percebemos que não conseguiríamos firmar a marca plenamente sem ter uma loja para reforçar o conceito. Foi quando surgiu a oportunidade da abertura do espaço G.Duque no MG Hair, freqüentado por artistas famosas e mulheres importantes, que juntas são o que há de melhor no PIB do país. Achamos que era o momento da virada.

Jóia br - Com a vida tão agitada, viagens, lançamentos em outras cidades, ainda tem tempo para família e para o lazer?
Roseli - Como qualquer mulher, às vezes tenho meus questionamentos, meus choros no final da tarde, mas amo o que faço e desta maneira fica mais fácil. Não abro mão dos meus domingos com a família, de nos reunirmos no jantar e de ir para minha casa no litoral, onde literalmente desço do salto com minhas havaianas  - Fause Haten, é lógico! (risos) - e passo o dia no meu deck.

Jóia br - Uma última perguntinha: como você encara a concorrência com as grandes marcas, tanto de jóias, quanto de outros produtos como celulares, eletrônicos, viagens, jeans de luxo, bolsas, etc?
Roseli - Não aceito ficar chupando limão, faço a limonada! Este é o novo modelo de consumo, temos que disputar o sonho e o desejo da consumidora. Só tenho a certeza de uma coisa: ninguém  deseja “gramas e pontos” e sim ficar linda e poderosa, ser invejada pelas amigas e desejada pelos homens.


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