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ENTREVISTA

Maurício Favacho*


O Brasil pode estar deixando de ganhar milhares de dólares por não conhecer melhor os tratamentos aplicados em gemas e por ainda existir o mito de que pedra irradiada (comumente chamada de "bombardeada") perderia a cor com o tempo ou poderia causar danos à saúde de quem a usa.
O assunto é polêmico e, para esclarecer as várias dúvidas, entrevistamos o gemólogo Maurício Favacho, da Empresa Brasileira de Radiações - (EMBRARAD):

Jóia br – É verdade que as gemas irradiadas perdem a cor?
Maurício Favacho -
Esta generalização é péssima para o mercado brasileiro de gemas, só reflete a falta de conhecimento de quem a menciona. O que acontece é que gemas como a hidenita - uma espécie de espodumênio - que após irradiação torna-se verde, perde esta cor com o passar do tempo sem qualquer exposição ao sol. Isso também acontece com algumas ametistas irradiadas, e também com um tipo específico de berilo que fica azul após a irradiação. No caso da EMBRARAD, estes fatos são divulgados e esclarecidos ao cliente e de modo algum esta gema é comercializada. Por outro lado, gemas como topázio azul, rubelitas, berilos amarelos, fluoritas, kunzitas, morganitas e quartzos, dentre outros tipos de gemas, apresentam excelente estabilidade em sua cor. A única generalização que deve ser feita é: "Existem gemas com excelente estabilidade em sua cor e que são passíveis de comercialização e gemas como baixa estabilidade em sua cor que, de modo algum, podem ser comercializadas". Assim sendo, é tarefa de todo gemólogo conhecer a fundo o assunto, antes de expressar qualquer opinião sobre irradiação em gemas.

Jóia br – Você diz que o processo de tratamento por irradiação gama corresponde a uma aceleração do processo natural. Poderia explicar melhor?
Maurício FavachoO tratamento gama aplicado pela EMBRARAD para melhoramento da cor está muito ligado à composição química do mineral, e isto é muito interessante. Por exemplo, é fato que tratamento aplicado em determinados topázios incolores de regiões de Minas Gerais ficam com um azul muito exuberante após o procedimento. Por outro lado, também é fato que em determinados topázios de algumas regiões do norte a cor não fica muito boa, e todo mundo sabe disso. Novamente, não podemos generalizar; pode existir no norte determinada lavra cujo topázio incolor após o tratamento gama apresente muito boa qualidade, fato este relacionado intimamente com a composição química do mineral. Assim sendo, recomendamos testar sempre o material gemológico na Embrarad.
Uma outra questão dentro desta sua pergunta é que a gema irradiada não é considerada artificial e sim uma gema natural tratada com gama. Assim sendo, jamais se usa o termo artificial para gemas naturais tratadas, qualquer que seja o processo.

Jóia br – E quanto à questão da saúde, é verdade que gemas irradiadas podem causar doenças como o câncer?
Maurício Favacho Esta é mais uma questão polêmica que tentarei esclarecer. As gemas tratadas com radiação gama pela Embrarad não ativam os elementos radioativos existentes nas mesmas, logo seria impossivel causarem qualquer tipo de dano à saúde. Existe esta possibilidade, ainda que remota, com gemas irradiadas com neutrons, que seria uma atividade energética mais intensa, e feita em reatores nucleares. Mesmo assim, o controle de saída deste material é super rigoroso, e a liberação só acontece depois do decaimento, ou seja, depois que não exista qualquer resquício radioativo. Vale ressaltar que a Embrarad não trabalha com neutrons, porém de modo algum discrimina este tratamento. A única coisa que sei é que, em se tratando de economia de tempo, o melhor é irradiar com gama.

Jóia br – Qual o valor agregado com o tratamento aplicado pela Embrarad?
Maurício Favacho - É muito grande, só daria para estimar pelo tipo de cada pedra que é tratada, ou seja, o valor agregado com o quartzo tratado não pode ser comparado com o valor agregado com o tratamento de rubelitas. Este estudo tem que ser feito para cada tipo de pedra. A questão de valores agregados com o tratamento realizado pela empresa é tão importante, que o governo de Minas Gerais (Ciência e Tecnologia) tem no seu programa "Gemas e Jóias" interesse em conhecer pormenores sobre o tratamento, o que é tarefa não muito fácil. Poderia afirmar que cerca de 90% dos comerciantes de gemas do Brasil testam e comercializam pedras tratada pela Embrarad.

Jóia br - Existe aceitação internacional para o tratamento aplicado pela EMBRARAD?
Maurício Favacho É claro que sim, apesar da maior parte dos clientes serem do Brasil, em particular de Minas Gerais, gemas oriundas de outros países chegam a todo momento na empresa para serem testadas.

* MAURICIO FAVACHO - Gemólogo da EMBRARAD, formado em Geologia pela UFPA; especialista em tratamentos aplicados em gemas; especialista latu sensu em gemologia pela UFPA; mestre em geologia econômica de gemas pela UFMG; está concluindo seu doutorado em gemologia pela UFOP e possui diversos trabalhos publicados sobre o assunto em revistas importantes. É autor dos capítulos 3 e 10 do livro GEMAS DE MINAS, da Sociedade Brasileira de Geologia. mfavacho@terra.com.br


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