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EXPORTAÇÃO DE OURO


Sergio Hortmann (*)





setembro / 2009

Com a crise internacional que abalou o mundo no segundo semestre de 2008, um dos ativos mais tradicionais de todos os tempos tornou-se a vedete das aplicações financeiras, pela segurança que proporciona. Estamos falando da compra de ouro, historicamente protegido de altos e baixos da economia. Aliás, é justamente quando a economia vai mal que este ativo financeiro mais protege os investidores das oscilações, garantindo aplicações a médio ou longo prazo.

Antigamente utilizado para formar lastro de reservas para emissão de moedas pelos bancos centrais de todo o mundo, atualmente o ouro é largamente utilizado na indústria joalheira, seu maior consumidor, além de fazer reserva pecuniária de partes de grandes fortunas em todo o mundo. Não há um só bilionário ou multimilionário que não tenha pelo menos uma parte de seus ativos aplicados em ouro.

Este mercado tem algumas regras e delas vamos aqui tratar, mesmo que de maneira superficial. O ouro é produzido em forma de pó (Gold Dust) ou de pepitas, sendo esta última pequenas pedras com alta concentração de ouro. A primeira forma de apresentação do ouro na natureza é o aluvião, de onde é retirado o ouro aluvional, que são concentrações de metal causadas por chuvas ou correnteza de rios, que depositam uma determinada quantidade de ouro em pontos onde esta correnteza é desviada ou interrompida, quer seja por pedras, por depressões, por trabalho humano ou pela simples precipitação. Apesar de ser a forma mais fácil de mineração, nem sempre é a mais lucrativa, pois escasseia em determinado tempo.

A segunda forma de mineração é o trabalho em filões, que são altas concentrações de ouro que seguem determinado padrão geológico, de difícil acesso e alto custo de prospecção. Entretanto, quando se descobre um filão, a quantidade de ouro geralmente compensa os investimentos em seu estudo geológico. Também em um filão de ouro, o metal pode se apresentar sob a forma de pó ou pepitas, misturados à terra ou minérios diversos.

Tanto as pepitas como o ouro em pó apresentam um determinado teor do metal e o restante são contaminantes - minerais diversos que podem ou não serem aproveitados no processo de purificação. Dependendo da região onde o metal é obtido, os tipos e quantidades de minerais contaminantes variam e por isso também o teor de ouro puro pode variar bastante. Uma das maiores mineradoras do mundo, a sul-africana Anglogold Ashanti consegue obter 8 gramas de ouro puro por tonelada de minério trabalhado em sua mina Cuiabá, em Minas Gerais, sendo este um dos maiores padrões de produtividade de suas minas espalhadas pelo mundo, principalmente se comparado à média também mundial de 3 a 4 gramas por tonelada.

Para se separar o ouro do minério trabalhado, é preciso utilizar uma planta de produção, que pode variar muito de acordo com a quantidade que se deseja produzir, o tipo de mineração e principalmente a forma de manuseio. Nesta planta industrial o minério será preparado para a obtenção do ouro, porém cada empresa de mineração utiliza uma forma de purificação, dependendo da maneira que o mineral se apresenta. Para os que quiserem se aprofundar sobre a forma que a Anglogold Ashanti utiliza para a purificação de seu ouro, vejam a coluna "O enorme valor do ouro", escrita por mim em Abril de 2005, nesta mesma seção.

Apesar das diferentes formas de se processar o ouro, o último trabalho efetuado é a fundição em barras, que podem variar de tamanhos, mas para o comércio mundial usualmente são utilizadas barras de 12,5kg de ouro 999,5 a 999,99% de pureza (impossível se obter o ouro 1000, ou seja, totalmente puro). Entretanto, podem ser fundidas barras menores, geralmente utilizadas pelo setor joalheiro no processo de fundição de suas peças. Estas barras são chamadas de Gold Bullion, e existem padrões controlados pelo mercado, sendo o principal o imposto pela London Bullion Market Association - LBMA (www.lbma.org.uk), que congrega as maiores refinarias e negociantes mundiais de ouro e outros metais preciosos. As regras de tamanho de barras, peso, pureza, refino, forma de comercialização, controle de qualidade de seus associados e marcação (selo) de barras segue estrito padrão. Para se credenciar, a empresa é analisada de forma profunda, para então receber a aprovação e ter seu Hallmark (selo de identificação) gravado nas barras e reconhecidos mundialmente. No Brasil somente duas empresas têm seu Hallmark credenciados pela LBMA.

Nada impede, entretanto, que outras refinarias que não são associadas à LBMA refinem, fundam e comercializem ouro em barras, desde que o comprador confie no processo de produção da empresa fornecedora. E o mercado mundial é maior do que podem pensar, pois existem negociações únicas que chegam a centenas de toneladas. O mercado mundial produz cerca de 200 toneladas de ouro por ano. Imaginem então o enorme trabalho para se obter tanto metal.



(*) Sergio R. Hortmann
- Consultor em Comércio Exterior, Marketing Empresarial e Planejamento Estratégico, Sócio-proprietário da AH Internacional Ltda. Exportação, Importação e Consultoria, ministra também cursos e palestras para empresas do setor.
 

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