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Momento de Exportar


Sergio Hortmann (*)




Enfrentamos tempos de vacas magras. Pode-se observar, de um lado, a alta e repentina desvalorização do real frente ao dólar norte-americano e o ouro conseqüentemente acompanhando esta escalada e, de outro lado, todo o setor joalheiro aguardando alguma definição, vinda da primeira cartomante disponível.

Chega de economistas que dizem portar uma bola de cristal, daquelas de puro cristal límpido de quartzo, prevendo estabilidades versus escaladas de desastres, apresentando mapas e gráficos, contradizendo-se na primeira mudança de vento; chega de dar ouvidos ao que acontece na porta do vizinho, onde governos dançam tango para esconder problemas internos, portando cravos murchos na boca e tentando se desviar do Mercosul como se fosse um bloco desenfreado de Carnaval. Apagões, desemprego e recessão em vista? Ao invés de permanecermos na letargia esperando um milagre, buscar o mercado externo passou a ser um fator não de oportunidade, mas de necessidade, até mesmo de sobrevivência das grandes indústrias.

O câmbio nunca esteve tão favorável à exportação, mesmo se levarmos em consideração que as principais matérias-primas da indústria joalheira estão atreladas a ele. Podemos enumerar diversos outros custos que são cotados em real dentro da cadeia produtiva, tais como os salários e encargos, custos administrativos e alguns insumos produtivos, além de outras despesas. Em relação a estes custos, a desvalorização veio beneficiar aquelas empresas que exportam, em contrapartida daquelas que permanecem estáticas.

Se por um ângulo podemos imaginar enxugamento de mercado, por outro vemos a indústria joalheira nacional se sobressair em design perante o mercado externo. Comentários a esse respeito não faltam por parte dos compradores estrangeiros, boquiabertos diante de um País de onde se pensava somente haver selva, índios, Carnaval e mulheres quase nuas dançando em posições comprometedoras ao som da música popularesca da moda no momento. Estamos deixando de ser a terra das bananas para nos tornarmos um País industrializado, respeitado por sua criatividade, apresentando produtos "diferentes", demonstrando o gosto brasileiro pelo belo.

Nunca o Brasil esteve antes em tal posição. Devemos aproveitar o momento, todo o marketing favorável (sem deixar de investir nele) e apresentar coleções com identidade brasileira. Fugir da briga de preços, das mercadorias de combate, onde jóias mal acabadas duelam por migalhas, descapitalizando empresas que somente por pouco tempo conseguem sobreviver é o caminho do momento. Momento de exportar qualidade, design arrojado, de bom gosto e, principalmente, com a "cara" do Brasil.

Para nos apresentarmos no exterior no rumo do sucesso, não basta ter o produto adequado, se a empresa não passa a imagem de seu produto. É mais ou menos como um milionário vestir-se em maltrapilhos, sentar-se ao volante de seu Rolls Royce e ser confundido com o motorista, a quem o carro não pertence. O empresário brasileiro busca mercados sem mesmo ter elaborado um plano de marketing, não sabe quem é o seu público e não consegue nem mesmo definir mercado-alvo. Não investe em divulgação, a maioria não utiliza a mídia ou pensa que esta é somente uma propaganda em revista (não menos importante, mas não a única). Pode-se fazer uma pergunta a um grupo de empresários sobre qual deles já investiu em Internet e quais empresas possuem um website. A resposta positiva será com certeza minoria. Pergunte-se então a essa minoria quem utiliza a Internet como mecanismo de divulgação de sua empresa, ou seja, quem usualmente recebe consultas de importadores estrangeiros que acessam seu site e onde seu site é divulgado – a resposta será um breve murmúrio.

Não deixemos passar o bonde da História, vamos subir nele, mas sem tomar carona em seu parachoque, entremos para chegar ao destino sentados.




(*) Sergio R. Hortmann
- Consultor em Comércio Exterior, Sócio-proprietário da AH Internacional Ltda. Assessoria e Consultoria, ministra também cursos e palestras para empresas do setor.
 

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