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O LADO PERVERSO DAS EXPORTAÇÕES


Sergio Hortmann (*)





janeiro / 2004

julho / 2004

Se por um lado o Brasil está conseguindo se equilibrar pelo aumento contínuo de suas exportações, com reflexo positivo na balança comercial e nas contas externas, já podemos enxergar os problemas que este aumento - quase que repentino - nos trazem.  

Países desenvolvidos baseiam suas riquezas na forma como conduzem seu comércio internacional, pois não se ganha se não se vende. O Brasil esteve alijado do mercado mundial durante anos, pela falta de definição de uma política industrial (o que até hoje ainda engatinha), excessivo protecionismo interno e, erroneamente, portas fechadas ao comércio mundial, causando defasagem de tecnologia e conseqüente baixa produtividade com altos custos.  

Com a abertura do Brasil às importações, o parque industrial brasileiro se modernizou e pudemos nos inserir no mercado internacional, competindo fortemente em muitos setores da economia. Com as privatizações, nossas ex-estatais se tornaram mais rentáveis e geradoras de riquezas e empregos. A Cia. Vale do Rio Doce se tornou a maior exportadora de minério de ferro do mundo, além de produzir ainda outros minérios às vezes escassos no planeta. Entretanto, o gargalo que dificultará as exportações em futuro próximo é exatamente a necessária logística para garantir estas operações. O monopólio da logística interna, dominado por grandes grupos empresariais, principalmente no setor de mineração e siderúrgico, dificulta ou inviabiliza alguns outros negócios para empresas menores, pois estes grupos passaram a ser proprietários de toda a malha ferroviária brasileira e alguns portos de escoamento.  

Nossos portos se encontram estrangulados e faltam navios para suprir a demanda brasileira nas exportações. Segundo dados de uma reportagem da Revista Veja de 7 de julho de 2004 sobre o tema, enquanto a demanda mundial por transporte marítimo cresce a um ritmo de 8%, no Brasil este índice chega a 15%. Há também um descasamento das exportações e importações, que causam falta de contêineres. Para cada três contêineres que embarcamos hoje para os Estados Unidos, por exemplo, apenas um deles retorna ao Brasil. Com o passar do tempo, haverá sempre menos contêineres disponíveis para a exportação. O déficit já chega a 60%. A solução seria uma imediata ampliação da única fábrica nacional de contêineres, a Paulista Contêineres Marítimos.  

Outro ponto de afunilamento é a quantidade de navios disponíveis. O Brasil tem 120 navios em sua frota e, para suprir a demanda, aluga outros 180 estrangeiros. Atualmente, para se conseguir reserva de praça em navio em determinadas rotas, é preciso que a mesma seja providenciada com 30 dias de antecedência. Foi-se o tempo (até há um ano atrás) que se obtinha facilmente espaço em navio com freqüência semanal, hoje mais reduzida. A solução proposta para este problema é a construção de pelos menos 60 navios, com investimento de cerca de US$2,7 bilhões.  

A conseqüência perversa desse crescimento foi o aumento dos fretes. Rotas como a Ásia, Norte da Europa, Mediterrâneo e Estados Unidos sofreram aumentos de fretes de 15 a 45% neste ano, com lógica perda de competitividade em muitos setores.

Também os fretes aéreos têm sofrido escassez de oferta, pois as empresa aéreas reduziram, pela diminuição da demanda de transporte de passageiros, a quantidade de vôos. Aviões somente cargueiros saem lotados e obter uma reserva de espaço tem obrigado os exportadores a anteceder suas programações de embarque aéreo. Até mesmo para se exportar jóias e pedras preciosas, cujos volumes são menores, é necessária uma programação antecipada.          

Tudo isto é muito recente, pois até 2003 não deparávamos com estes problemas. É preciso se rever as políticas nacionais, com o intuito de se criar a necessária estrutura básica para garantir o crescimento das exportações e se evitar a quebra de contratos por falta de logística. Assim como outros, já enxergo o lado perverso das exportações.



(*) Sergio R. Hortmann
- Consultor em Comércio Exterior, Sócio-proprietário da AH Internacional Ltda. Assessoria e Consultoria, ministra também cursos e palestras para empresas do setor.
 

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