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Crise nas Exportações

Sergio Hortmann (*)




O mundo todo se abalou pelo ataque terrorista nos Estados Unidos, não somente pela brutalidade de se aniquilar milhares de cidadãos inocentes, mas também pelas declarações do presidente norte-americano de retaliação, ataques militares aos afegãos, além de outras conseqüências ainda não previstas.

Entretanto, em caso de guerra ou ataques armados, a tendência da população do maior país consumidor do mundo será a de se proteger dos rumos que tomará a economia norte-americana, para uma profunda recessão, adiando a compra de artigos considerados "supérfluos", incluídos aí os produtos do setor joalheiro.

Por outro lado, o povo americano é extremamente patriota e grande parte deste tem atendido aos apelos do Governo dos Estados Unidos de não desaquecer o consumo, sob pena de desmoronar a economia do País. Todos os acontecimentos estão ainda muito recentes e gravados na memória das pessoas, por isso é natural que seja preciso algumas poucas semanas mais para que o mercado retome seu aspecto de aparente normalidade. Podemos sentir as turbulências pela desvalorização acentuada do real, pela elevação do preço do ouro e pelo receio da população brasileira de uma guerra que, apesar de travada no hemisfério norte, afetaria sem dúvida nosso mercado. O resultado imediato da subida dos insumos é a compreensível redução das atividades de comércio, porém já experimentamos fenômeno similar quando da brusca maxidesvalorização do real em fevereiro de 1999, quando todo o mercado parou durante algum tempo.

Muitos já tiveram a oportunidade de ouvir uma estória de um humilde vendedor de cachorro-quentes o qual mal sabia assinar seu nome, que tinha um carrinho na beira de uma estrada muito movimentada no interior do Brasil. Com muito esforço o comerciante conseguiu mandar seu filho para a capital, para cursar a Faculdade de Administração de Empresas. Durante o período em que seu filho estudava, o comerciante resolveu investir em seu modesto negócio e começou a espalhar placas muito simples ao lado de seu carrinho, salientando as delícias de seu produto. Vendo as placas, os carros começaram a parar e experimentar seu cachorro-quente, o que elevou gradativamente as suas vendas. Como o comerciante começou a prosperar, colocou placas maiores, iluminadas, trocou seu carrinho por um trailer e plantou placas no outro lado da estrada, o que aumentou ainda mais suas vendas, alcançando um grande volume de atendimento a clientes.

Nisto, seu filho volta da faculdade, já formado, que ao deparar com tamanho investimento por parte do pai se assusta e diz: "- Pai, você está louco? Não sabe que estamos passando por uma enorme crise econômica? Como pode gastar tanto dinheiro em seu negócio, quando o País está atravessando uma recessão tão grande?" O comerciante pensa logo que seu filho formado haveria de ter razão, pois estudou na universidade, sabia das coisas e ele próprio mal escrevia seu nome, por isso mandou retirar todas as placas, reduzindo seu investimento. Em conseqüência disso, os carros que antes paravam em seu estabelecimento começaram a escassear, o comerciante foi obrigado a trocar o trailer pelo antigo carrinho de cachorro-quente, até que, sem clientes, vendeu o carrinho e retornou à sua cidade natal, dizendo a todos quanto o seu letrado filho tinha razão, realmente o mercado estava em enorme crise econômica, fazendo-o fechar seu negócio.

Esta estória ilustra em parte o momento atual, onde não se deve deixar abalar pela conjuntura e jogar fora todo o investimento que a empresa fez até o momento na abertura de outros mercados. É importante lembrar que é muito difícil abrir novos clientes, mas muito fácil perdê-los sem possibilidade de retorno, sem deixar de salientar que já vivenciamos diversas outras crises em um mercado tão cíclico.




(*) Sergio R. Hortmann
- Consultor em Comércio Exterior, Sócio-proprietário da AH Internacional Ltda. Assessoria e Consultoria, ministra também cursos e palestras para empresas do setor.
 

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