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O ENORME VALOR DO OURO


Sergio Hortmann (*)





abril / 2005

São 8:30h da manhã de uma terça-feira, hora das pessoas assumirem seus postos de trabalho, nosso ônibus pára em um sinal de tráfego que se encontra vermelho, cedendo a passagem a um caminhão carregado com 25 toneladas. Não, esta cena não se passa em um cruzamento da Av. Paulista, pois estamos a 650 metros abaixo da terra, dentro da Mina Cuiabá, da AngloGold Ashanti Mineração, que tem 120km de ruas internas, chegando atualmente a 950m de profundidade, em seu nível 14. Na expansão já iniciada, a mina chegará a 1.422m, no nível 21.

Após uma aula de instrução de segurança, promovida pelos Srs. José Cláudio e Sr. Gleydson, todo o grupo - composto por 15 joalheiros de várias partes do País, e ainda Cláudia e Mirella da AngloGold Ashanti e eu e Dorotéia, do Portal Jóia br, que promovemos esta visita a convite da empresa de mineração, - vestiu macacão e botas e mais os equipamentos de segurança, como capacetes montados com fortes lanternas, luvas e óculos, para tomar o ônibus que nos levaria ao fundo da terra, em uma aventura que todos nós, sem exceção, literalmente deliramos. Não se sabia o que brilhava mais, se eram nossos olhos, ante aquela maravilha da tecnologia, ou as piritas nas rochas de minério de ouro. Nem lendo Júlio Verne, em sua "Viagem ao Centro da Terra", poderia promover tamanha excitação em todos.

Apesar de trabalhar como especialista em Comércio Exterior e Marketing do setor joalheiro há 17 anos, não fazia idéia da altíssima tecnologia que é necessária para a extração deste minério e seu processamento, até se transformar nas barras de ouro que todos conhecemos. Realmente fiquei, assim como todos os joalheiros presentes, extasiados e me sinto na obrigação de dividir isto com vocês, leitores, para que possam entender que é muito merecido o valor que é imputado ao ouro.

Antes, porém, de compartilhar com vocês esta maravilha, penso que devo falar um pouquinho da empresa que visitamos e que muitos têm curiosidade de conhecer. A AngloGold Ashanti tem sede mundial na África do Sul e ocupa lugar de destaque na mineração mundial de ouro. O Grupo detém operações na América do Sul e Norte, África e Australásia, totalizando 25 operações em 11 países diferentes. Produz de 6 a 7 milhões de onças (187 a 217 toneladas) de ouro por ano, correspondendo a 10% da produção mundial, empregando 65.400 funcionários e com ações negociadas nas bolsas de Johanesbugo, Nova Iorque, Guanaian, Sidney, Londres, Paris e Bruxelas.

Na América do Sul, a AngloGold Ashanti Mineração tem sede em Nova Lima/MG, com faturamento de US$255 milhões, sendo US$158 milhões no Brasil e opera 3 minas em Minas Gerais (Mina Cuiabá, Córrego do Sítio e Lamego - a Mina Morro Velho se encontra desativada). Em Goiás, a Mineração Serra Grande opera a Mina III e Mina Nova e na Patagônia/Argentina, a Cerro Vanguardia tem a mina em San Julián. As minas brasileiras são certificadas ISO 14001 e também 5 estrelas NOSA, graduação máxima concedida à atividade de mineração que apresenta baixas estatísticas de acidentes, doenças ocupacionais e acidentes ambientais. Para quem ainda não sabe (e duvido que não saibam) a empresa promove o AngloGold Ashanti Designer Forum Brasil a cada 2 anos, premiando os maiores talentos do design de jóias de ouro do Brasil.

A produção de ouro no Brasil chega a 334.000 onças (oz), correspondentes a 10,3 toneladas por ano, sendo que somente a Mina Cuiabá, localizada na cidade histórica mineira de Sabará, próxima a Belo Horizonte, a qual visitamos, produz 200 mil oz (6,3 toneladas) de ouro, com teor médio de 8 gramas de ouro puro por tonelada de minério extraído e processado. É isto mesmo, em cada tonelada de rocha, somente são apurados 8 gramas e este é um resultado de altíssima produtividade, se considerarmos que a média mundial é de 3 a 4 gramas por tonelada. Na África do Sul, as minas concentram a maior produção - 54% do total, com lucratividade de 44% e nos demais países da África, 25% da produção, com lucratividade de 19%. Em contrapartida, na América do Sul, com apenas 9% da produção mundial da Empresa, a lucratividade chega a 19%, o que comprova a melhor administração do Grupo em todo o mundo. A produtividade, assim, chega a US$32.75/tonelada. Talvez tudo isto explique porque o Presidente da AngloGold Ashanti para a América Latina, Sr. Roberto Carvalho Silva, assumiu recentemente também a presidência das operações na China e Austrália.

A expansão em curso receberá um investimento de US$121 milhões, que aumentará o número de funcionários da Mina Cuiabá de 850 para 1250 pessoas, fora os empregos indiretos em empresas contratadas. Atualmente a empresa tem 3.000 funcionários no Brasil. Um desses funcionários, operador na Mina Cuiabá de um equipamento gigante que fura a rocha com 9,3m de profundidade (no teto e paredes), totalmente automatizado e controlado por joysticks de dentro da cabine com ar condicionado, perguntado se gostava de sua profissão, nos disse que trabalha há 2 anos e meio na mesma função e que não trocaria o seu trabalho debaixo da terra por nenhum outro na superfície. Interessante, não?

Com 236m³ de ar sendo bombeados dentro da Mina Cuiabá, não se sente falta de ar em nenhum momento. Todo o bombeamento é controlado por computador, o qual vimos operar a cerca de 400 metros de profundidade. Nesta mesma profundidade, os telefones funcionam perfeitamente, existe conexão de Internet, as oficinas de manutenção são todas divididas por tipo de serviço, a iluminação nos dá a impressão que estarmos ao ar livre e pode-se tomar um elevador de alta velocidade para subir à superfície, o qual chega em cerca de 5 minutos, se não houver paradas em outros níveis.

Após trocarmos de roupa, o almoço foi servido no refeitório da Empresa, seguindo todo o grupo logo após para a Planta do Queiróz, em Raposos/MG, onde trabalham 500 funcionários e para onde o minério retirado na Mina Cuiabá é transportado, através de um teleférico com 15km de comprimento, com 270 caçambas. Esta planta também é certificada ISO 14001 e NOSA 5 estrelas e seu laboratório ISO 9001. Na Mina Cuiabá, o minério produzido é composto de sulfeto, vulgarmente chamado de pirita (o famoso ouro de tolo, por brilhar igual ao ouro puro, mas ser apenas uma pequeníssima concentração de ouro). Em outras minas, a cianetação é suficiente para a retirada do ouro, mas para uma recuperação satisfatória do ouro no minério de sulfeto da Mina Cuiabá, a pirita tem que ser oxidada via Ustulador, para expor o ouro que estava incluso, obtendo-se, como resultado desta oxidação, a produção de enorme quantidade de ácido sulfúrico, que é vendido para empresas produtoras de fertilizantes, apesar de não ser o objetivo principal da empresa.

Na Planta do Queiróz, esta é a rota do beneficiamento de 120 toneladas de minério/hora (2.300 ton/dia):
1 - Recebimento do minério via teleférico;
2 - Moagem;
3 - Concentração gravimétrica;
4 - Flotação;
5 - Ustulação;
6 - Lixiviação;
7 - CIP - Carbon in pulp;
8 - Precipitação;
9 - Fundição.

Todos tiramos fotografias com uma barra de ouro de 12,5kg, que tem valor de mercado de R$460 mil, sob um extremamente rígido esquema de segurança. Tivemos, aí, uma aula das várias etapas do processo de fundição para se chegar ao ouro puro, sendo separada a prata, que também é fundida como matéria-prima secundária.

O extremo cuidado que a AngloGold Ashanti tem na aplicação de suas políticas de segurança e saúde ocupacional, harmonização de valores econômicos, sociais e ambientais, inclusive disponibilizando estas políticas à sociedade, conferem à empresa um especial destaque e explica a satisfação do "funcionário-tatu", perguntado sobre seu trabalho na Mina Cuiabá.

Acostumados com os velhos garimpos de ouro, tipo Serra Pelada, sem segurança, sem saúde e depredando o meio-ambiente, pudemos ver a contraposição disto tudo, em ambientes muito bem cuidados e muito zelo em todos os processos de extração e beneficiamento. A AngloGold Ashanti dá de volta uma boa parte do que tira, por isso merece nossos aplausos.

Depois de ver tudo isto, me parece até muito pouco o valor cobrado por um grama de ouro, que hoje ronda a casa dos R$37, já que são necessários 125kg de minério e toda esta altíssima tecnologia e investimentos para se chegar a este único grama de ouro puro. Estendamos então o nosso pensamento para um simples anel de ouro de cerca de 15 gramas de ouro 18K (este peso não contempla um anel muito pesado, é um peso médio para um anel com algum trabalho). Para se produzir este anel, será necessário, para se obter os 11,75 gramas de ouro puro necessários aos 15g da liga de 18 quilates, se extrair 1,4 toneladas de minério e fazer seu beneficiamento sem agredir o meio-ambiente, isto com uma altíssima produtividade. Em termos de média de produção mundial, seriam necessárias ainda quase 4 toneladas de minério para se obter o ouro deste mesmo anel. Deixo para vocês refletirem, então, quando estiverem usando uma jóia de ouro, de quanto trabalho e investimentos foram necessários para a transformação naquela beleza de adorno. Unindo esta maravilha da natureza ao design diferenciado de nossas jóias e a alta tecnologia de produção empregada atualmente, chegamos a pensar que é até barato o que se paga por uma belíssima jóia de ouro.

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(*) Sergio R. Hortmann
- Consultor em Comércio Exterior e Marketing Empresarial, Sócio-proprietário da AH Internacional Ltda. Exportação, Importação e Consultoria, ministra também cursos e palestras para empresas do setor.
 

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