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POR QUE NÃO USAMOS MATERIAIS NOBRES NO ENSINO DA JOALHERIA?


*Ronaldo Freesz



Quando se fala em ensino de técnicas de joalheria, o que vem à cabeça é que se tem que adquirir logo de início um cofre para guardar os metais nobres – o ouro, a prata – e as pedras “preciosas”. Engano. Em uma escola, talvez ele não seja tão necessário.

O que acontece, na realidade, é que a pessoa que vai aprender essas técnicas é um "aprendiz" e, como tal, sujeito a erros, falhas e, involuntariamente, desperdício de matéria prima. Como aprendiz ele não tem de ter nenhum conhecimento prévio sobre o seu trabalho futuro. Todos os procedimentos básicos do trabalho lhe serão transmitidos, inclusive como reciclar todo o material utilizado. Em joalheria, nada se desperdiça. Incinera-se bancas e uniformes, lixas velhas, recuperamos pós, decantamos a água, etc. Este processo é fundamental e deve ser repassado ao aprendiz. Primeiro ele tem que saber trabalhar o metal, depois recuperar os resíduos.

Nessa fase de início de trabalho com metal ou as pedras, o aprendizado tem que ser com materiais de menor valor – latão, cobre, quartzos comuns – e não com metais nobres e pedras caras ou de valor intrínseco.

O aluno começa a se familiarizar aprendendo primeiro para que servem as ferramentas específicas da sua futura atividade. Para isso, ele pode trabalhar em latão, pois os exercícios são para que ele aprenda o manuseio da ferramenta. No caso das pedras, aplica-se o mesmo princípio. A forma de se trabalhar com limas, serras, brocas, polimentos, acabamentos com o latão é exatamente a mesma utilizada posteriormente em prata e ouro (ou outro metal nobre). Isto também vale para cravação, fundição, esmaltação, enfiação de colares e qualquer outra técnica. Cada metal responde ao trabalho diferentemente. Ainda que o outro seja o melhor para se trabalhar e o que mais responde ao que fazemos, é também o material mais caro.

Em função disso, um ponto deve ser reforçado: todo aprendizado está sujeito a erros, o que inviabiliza o trabalho com metais nobres. O treinamento tem que ser repetitivo e, algumas vezes, até exaustivo, para a formação de um bom profissional, apto a ser absorvido pelo mercado.

O mercado é exigente: quer um profissional formado em poucas horas, mas com a experiência de uma vida no trabalho prático, o que é impossível. Todos os conhecimentos sobre metais nobres, as pedras e como trabalhá-los, suas características e suas propriedades, devem ser repassadas no aprendizado.

Depois de um treinamento intensivo com esses metais não nobres, passa-se então para o aprendizado em prata. Assim, toda a teoria que envolve a preparação de ligas, fundição e demais aspectos será demonstrada, utilizada e executada pelo aprendiz. Trabalhar com prata é equivalente a trabalhar com ouro. O que diferencia é o valor. Os processos de recuperação de resíduos de metais, cuidados com ferramentas, com a banca, com polimento, com as mãos, são os mesmos para ambos os metais - incluindo aí também a platina.

Desta forma, em uma escola, em um curso, o uso dos metais e pedras é diferente do seu uso em uma empresa.

Na empresa, tudo pode ser revertido em aproveitamento. Tudo é reaproveitado com a recuperação dos metais e de todo o resto. Em uma escola, esses conceitos são todos repassados e colocados em prática quando se trabalha com prata. Mas, o aprendizado em si mesmo, só pode ser feito com metais comuns que não exigem grandes investimentos, admitem erros, repetições e ajustes. Um metal pode ser refundido ou reaproveitado de alguma forma. Uma pedra, não! Cortou errado, o erro é irreversível.

Para concluir, não se deve nunca confundir a Escola (ou curso) que ensine joalheria com Empresa que pratica joalheria. São estruturas diferentes, objetivos diferentes, métodos diferentes. O objetivo da empresa é o lucro. O da Escola é a formação integral de um profissional que possa sobreviver no mercado com os conhecimentos específicos adquiridos.


* Ronaldo Freesz é ourives, pedagogo.  professor da Escola de Design da UEMG –  professor do Centro Integrado de Moda – CIMO - pesquisador do Laboratório Anglogold Ashanti de Pesquisa em Ligas de Ouro.
rfreesz@hotmail.com

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