PÁGINA INICIAL
EMPRESAS
ENTIDADES
FEIRAS NO BRASIL
FEIRAS NO MUNDO
EXPOSIÇOES E EVENTOS
ARTIGOS
COMÉRCIO EXTERIOR
ENTREVISTAS
MANUAL DE GEMAS
CURSOS
CURIOSIDADES
JOALHERIA DE ARTE
MODA E TENDÊNCIAS
DICAS PRECIOSAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
CLASSIFICADOS
PROMOÇÕES
COTAÇÃO DO DÓLAR
ANÚNCIOS
SOBRE O JOIABR
FALE CONOSCO
::::::::::::::::::::::::::::

© Joiabr - 2000
info@joiabr.com.br



ANGOLA, UM PAÍS DE CONTRASTES


*Carlos Ferreirinha



Ritmo acelerado. Poeira, gruas, crescimento vigoroso. Frustrações. Custo de vida muito alto. Curiosidade. Carros. Filas em postos de gasolina. Sim, muitas e inacreditáveis filas!
Gasolina barata? Não. Volume de carros.

Angola nem mesmo completou sete anos desde o fim da guerra e Luanda, a capital, já surpreende. Como é possível manter o sorriso nos rostos diante de tantos obstáculos e de tanto que precisa ser desenvolvido? Não há dúvida alguma que a explicação para isso é que, além da esperança, existe uma grande curiosidade. Já dizia Walt Disney na teoria dos 4 Cs: sejamos curiosos!

A alegria nos serviços e a cordialidade do atendimento suplantam, e muito, as limitações técnicas que demandam, evidentemente, treinamento e capacitação. São novos passos que precisam ser dados nesta direção. O conceito “comprometimento profissional” na prestação de serviços ainda está em sua fase inicial e básica. Estes obstáculos perdem a importância e relevância diante do sorriso que encanta e emociona.

Em todos os lugares que se olha, há movimento acelerado de mudança e transformação. Prédios modernos, o altíssimo custo do metro quadrado, restaurantes surpreendentes e modelos de carros tão modernos que até parecem que foram somente produzidos para rodar em Luanda. Mas como é possível dirigir nas incríveis ruas e avenidas largas da cidade, em meio ao caótico trânsito? E isso importa? O importante agora é ter um carro e, de preferência, uma SUV, e o último modelo. Afinal, como diria o Sr. Castelo, da empresa BDN de Luanda, "Crises geram idéias. Quem não gosta de viver em desenvolvimento?"

A teoria de Maslow ensina que o consumo acontece somente por quatro níveis de necessidades: fisiológica, segurança, indulgência e status. Angola passa pelos quatro simultaneamente. E não há nada de errado nisso. Tudo que o mundo, de alguma forma, tem percebido sobre o homem que assume cada vez mais um novo papel no contexto do consumo é devidamente percebido em Angola. O homem angolano tem estilo, tem elegância e é vaidoso. Carrega referências mundiais mantendo um estilo muito próprio e entende de marcas de prestígio, sejam elas francesas, italianas ou brasileiras.

Na evolução do consumo, ainda pegando como base o estudo de Maslow, consegue-se entender o porquê do fenômeno Nespresso já causar em alguns angolanos a percepção de distinção, e o porquê do estilista brasileiro Ricardo Almeida já ter angolanos como alguns de seus principais clientes. Qual o próximo passo? Garanto: Spas, resorts, hotéis, cafeterias, atendimentos "privates" em Bancos, clínicas nas mais diversas áreas, principalmente as de estética, além de moda e decoração de interiores. A explosão de serviços especiais virá antes do varejo de luxo. Será difícil e lento o processo de ruas e centros de comércio para abrigar as principais marcas de Luxo do mundo, mas não impossível. Apenas o tempo será outro. Porém, os angolanos não deixarão de comprar ou acessar produtos e serviços de Luxo ou Premium no próprio País ou no exterior.

A era da "premiumização" também já chegou a Angola e, lentamente, entrará no cotidiano das diversas camadas sociais. O termo Luxo já vem sendo utilizado, principalmente, pelas construtoras na apresentação dos surpreendentes condomínios residenciais. Em um País onde praticamente tudo é importado, a tarefa da diferenciação não é tão simples: afinal, não basta ser importado – em Angola, isso é comum. No negócio do Luxo é fundamental que, no consumo, o desejo prevaleça em relação à razão.

O filósofo francês Bertrand Russel afirmava que “toda atividade humana nasce do desejo”. Os Angolanos desejam e isto fará com que os hábitos de consumo sejam alterados. Junte a isso o fato de serem alegres, simpáticos, amigos, de terem o conceito família e a crença de que o amanhã será melhor do que hoje e, definitivamente, que ontem.

O grande desafio de países como Brasil e Angola é receber a modernidade de braços abertos, sem esquecer as tradições, as origens, o passado que formou o presente e que criou lastros para o futuro.

Luanda, sinceramente, obrigado por seu carinho!
Angolanos, tenham a persistência de seguir em frente, não se desviem!

Volto de Angola me sentindo mais brasileiro, mas também um pouco angolano.




* Carlos Ferreirinha - Diretor Presidente da MCF Consultoria & Conhecimento, especializada no Negócio do Luxo e Premium, com atuação no Brasil e na América do Sul. www.mcfconsultoria.com.br

<< Voltar para o índice de artigos