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O LUXO E A CRISE MUNDIAL


*Carlos Ferreirinha



Até que ponto o negócio do Luxo será afetado diante desta crise no mercado americano? Quais serão os principais sinais de alerta? Quais serão os principais obstáculos desta crise? Haverá ou não crise no mercado do Luxo? São muitas as perguntas e dúvidas.

Se ainda existem muitos questionamentos sobre o real impacto desta crise americana em médio e longo prazo tanto nos EUA como no mundo, não há como ter as devidas respostas para o impacto generalizado no Luxo. Entretanto, quando o principal mercado do mundo sofre, não há como não existir obstáculos e problemas no resto do mundo. Antever o quanto e até quanto, é o assunto do momento.

A atual crise americana traz de alguma forma uma situação paradoxal para o Brasil. Se nos últimos 2 anos as viagens internacionais têm sido um dos grandes e principais concorrentes para a venda de produtos de Luxo no País, o aumento da taxa de câmbio, levando o dolar ao patamar de R$2,00 e já oferecendo uma retração nas agências e operadoras de turismo, favorece de alguma forma o consumo local, uma vez que a diferença cambial não será tão demasidadamente forte como tem sido ultimamente. Assim, é hora de voltar a investir na atenção deste consumidor localmente seja pelo varejo de produtos ou pelo serviço como hotelaria, resorts, restaurantes e não somente em São Paulo e Rio de Janeiro, mercados tradicionais; mas também nas demais regiões do País que tem crescido no consumo aspiracional. Acredito que em momentos como este, o Brasileiro de forma geral, tenderá a viajar um pouco menos.

Há que se relevar, também, o impacto imediato do consumo chamado de Luxo Absoluto. Lanchas, aviões particulares, residências de alto padrão, carros exclusivos, helicópteros e todos os outros produtos que falam com valores muito acima da média, deverão sofrer um desaquecimento considerável. Por outro lado, se analisarmos os grandes grupos mundiais de Luxo, ou apenas as grandes marcas, o crescimento destes está sendo totalmente afetado com uma redução esperada de vendas e faturamento na ordem de 50% nos EUA.

Quando isso acontece, mudam as prioridades e o foco estratégico, favorecendo as economias emergentes ou outros mercados que não sejam tão dependentes dos EUA, que precisam crescer mais rapidamente para suprir esta baixa nos números no mercado americano. Esta é a razão porque, localmente, os números das marcas de Luxo nos EUA são ruins, mas o número consolidado mundialmente, não. A velocidade e o vigor do consumo de Luxo em regiões como a Ásia, Rússia e Leste Europeu tem compensado. Somente o Leste Europeu cresceu 35% no primeiro semestre, compensando e muito a perda americana para algumas marcas.

O Brasil também pode ser favorecido sob esta ótica de mercado. As marcas internacionais precisarão cada vez mais encontrar soluções para este consumo muito dependente dos EUA. Com isso, mercados como o brasileiro se tornam cada vez mais atraentes e necessários. Ainda mais se considerarmos que o consumo no Brasil, no Luxo, é praticamente todo ele feito para locais – sem a dependência do dinheiro do turista. Com isso, a velocidade da intenção e do interesse de iniciar operações no país será cada vez mais aquecida para os próximos anos. Considerando que estas empresas tomam decisões pautadas no longo prazo, o mercado brasileiro é, sem dúvida alguma, a estrela da região da América Latina.

Mas há também a oportunidade para o empreendedorismo. Em momentos como estes, as marcas genuinamente nacionais, sejam produtos e serviços, que conseguirem surpreender e encantar o cliente local com movimentações aspiracionais e prestigiosas, ganham espaço. E o Brasil tem surpreendido com marcas especiais em diversas áreas; citando algumas como móveis, gastronomia, chocolates, espumantes, hotelaria, bem-estar, calçados de prestígio, dentre outras.

Há uma crise. Há que se preparar para ela. Ainda são poucos os dados reais mas, seguramente, haverá impactos.

É hora de fortalecer o treinamento dos profissionais/colaboradores, a oferta de produtos e serviços que, de alguma forma, inspirem ao consumo e exercitar concretamente o momento das experiências. Planos de crescimento e investimento precisam ser revistos. A crise coincide com o momento de budget das empresas. O ano de 2009 será afetado na motivação e entusiasmo que vinham ditando o ritmo.

O consumo do Luxo é pautado pelas decisões emocionais e não racionais. Assim, em momentos difíceis de mercado, este consumo imediatamente é afetado. Corta-se o supérfluo. De forma geral, as pessoas no primeiro momento se tornam mais temerosas e atentas. São mais comedidas. Com isso, há o desaquecimento de consumo. Mas, assim que os sinais estejam claros ou que melhorem, volta-se ao ritmo do consumo e muitas vezes mais acelerado e significativo.

Luxo tem a ver com o consumo hedonista.
Fazer bem a si mesmo!


* Carlos Ferreirinha - Diretor Presidente da MCF Consultoria & Conhecimento, especializada no Negócio do Luxo e Premium, com atuação no Brasil e na América do Sul. www.mcfconsultoria.com.br

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